20260722
Crato, 22 de julho de 2026 (quarta)
Hoje, depois da missa, eu fui lá na Asa e fiz catorze barras australianas. O número máximo que eu já tinha conseguido fazer há algumas semanas. Quase fazia a décima quinta. Quando eu completar dezoito vou acrescentar um segundo exercício de barras. A barra escapular.
Os últimos dias de Expocrato foram muito bons. Eu só fui lá muito rápido no domingo. Mas, mesmo sem ir lá, a sensação de pausa é contagiante. Mas, na segunda, me bateu uma sensação de primeiro dia depois da Copa, que foi muito ruim. Mesmo o dia tendo sido, de maneira geral, positivo.
A morte está dando suas caras por aqui. A gata Estrela, última da sua ninhada, está bem mal. Não deve viver muito mais. Começou a se esconder em um armário.
Crato, 24 de julho de 2026 (sexta)
Hoje eu fui à Universidade para resolver algo no famigerado Departamento de Ensino e Graduação, DEG. Cheguei às oito e quarenta e cinco. A funcionária estava conversando na maior alegria, sentada do lado de fora da sala. É daquelas salas com uma janela para atender, tipo banco.
A segunda foi buscar a chave. Eu fui embora. Quem sabe em janeiro, quando eu tentar de novo, encontre alguém dentro da sala atendendo.
Ontem de noite, antes de dormir, encontrei um canal no YouTube que estava transmitindo sumô ao vivo. Era onze da noite no Brasil, onze da manhã no Japão. A quinta divisão estava lutando.
Pense numa experiência inusitada. Era velho lutando com novo. Gordo de mais de duzentos quilos lutando com magro de menos de setenta.
E pensar que o povo paga duzentos reais de ingresso, chega tarde e perde um espetáculo desses.
De manhã, ao acordar, assisti às últimas onze lutas. Essas mais padronizadas. Um dos meninos ucranianos ganhou a décima primeira luta em treze dias. E é o líder isolado. Domingo acaba esse torneio. Eles acontecem em todo mês ímpar. Pela primeira vez estou acompanhando de forma mais atenta.
Já disse aqui que eu costumava jogar uma vida em um jogo de plataforma. Para me lembrar da morte. O Memento Mori. Desde que a gata Lua piorou do câncer que eu parei. Faz meses que não jogo. Depois a gata Lua morreu, depois o gato Zulu e agora a gata Estrela está definhando também. O jogo perdeu, por enquanto, sua função. Não preciso dele para lembrar da morte.
Nesse ínterim terminei encontrando um quadrinho chamado Baby Road Trippers. Sobre uma menia que, entre outras excentricidades, dorme em um armário. Mas esse é só um detalhe. A história é sobre continuar. Continuar enquanto é possível. E guardar lembranças enquanto é possível.
Terça-feira as práticas de judô voltaram. Faltando dez minutos, o professor das crianças, que estava, nas palavras dele, "puxando o treino", chamou um torneio. Lutei três vezes e ganhei só uma. Mas, dos homens, fui o único que voltou na quinta. Pelo que entendi, um entortou o dedo, o outro levou pontos no supercílio e o terceiro, mesmo não declarando contusões, não voltou ontem. Muitas vezes, mas muitas vezes mesmo, ganhar é conseguir continuar lutando, mais do que fazer mais pontos.
Até.


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