20260428
Crato, 28 de abril de 2026 (terça)
Olá, leitores.
Final de abril e ainda está chovendo grosso.
Esse ano eu não vou esconder meu aniversário. Até ano passado eu estava envolvido com pessoas que podiam usar seu aniversário como desculpa para te maltratar, mas não estou mais andando com gente assim.
Já faz um tempo que eu celebro meu aniversário o mês todo. Tira a pressão de ter que viver um dia bom no aniversário exato. Foi celebrando o mês todo que, em 2021, eu decidi praticar judô.
Pretendo encerrar o mês de abril pensando nas mortes de Ratzenberger e Senna, que marcaram minha infância. Depois começo a celebrar a vida. Possivelmente o final da vida da gata Estrela, a que sobrou de uma ninhada de quatro.
Mas sobre hoje. Está tendo um encontro de Educação Física sobre Transtorno do Espectro Autista. Não sobre tratamento médico, mas sobre prática física. Em dias normais de terça-feira eu não tenho compromisso na Universidade. Então decidi que iria, mas antes ia resolver umas tarefas. Como última tarefa, joguei uma ficha no Street Fighter A2 e, por algum motivo, perdi na primeira luta. Depois finalmente segui para a Universidade. Cheguei ao auditório, que por algum motivo chamam de salão, e uma professora convidada de Alagoas estava falando.
Sentei perto dos meus colegas de turma. Eles estavam em silêncio. Uns colegas de outro curso estavam conversando, fazendo barulho e chutando as cadeiras. Pareciam uns chimpanzés. Mas, como a professora estava de microfone, a falta de educação daqueles incivilizados não me impedia de ouvir a fala da convidada.
Ela explicou que a memória é como um registro, com gavetas onde as experiências vão sendo guardadas, algumas são fáceis de acessar e outras não. Eu me lembrei de que eu vou escrevendo em papéis, depois guardo tudo em uma gaveta de verduras em uma geladeira que eu uso como armário.
Ela disse que não queria falar sozinha e perguntou por que interações eram importantes. Eu levantei a mão e respondi que: "eu precisava interagir com meus colegas para me lembrar do que eu precisava fazer, pois sem eles não saberia o que tinha para fazer amanhã."
A professora disse: "que máximo, eu não estava esperando isso." Desse ponto, ela usou termos técnicos que eu não vou lembrar exatamente, mas, com minhas palavras, ela disse algo como: "você usa interações com os outros para lidar com uma limitação de memória, isso é muito eficiente." Aí ela perguntou: "você é aluno ou professor?" Respondi que era aluno e ela continuou: "você é bom em identificar suas limitações e criar ferramentas para lidar com elas, se você não compartilhar essas ferramentas com seus alunos terá fracassado."
Eu segui assistindo. Quando foi dez e cinquenta, o professor anfitrião disse que a palestra tinha começado atrasada por culpa da gente que não chegou na hora. Mas agora pronto, não começou porque não quis. Fez mais reclamações sobre necessidade de inscrição dupla e assinatura de frequência para receber certificado. Eu decidi que não ia querer certificado, mais fácil. Aí disse para sairmos e voltarmos em dez minutos. Eu fui almoçar. Voltei em quarenta minutos.
A professora, a mesma, contou, entre outras coisas, que tem quatro alunas faixa preta de judô. Essas são alunas universitárias, não pessoas com autismo. E que permitia que alunos crianças com autismo, caso avancem no próprio desenvolvimento através de circuitos motores, começassem a praticar judô.
Que esperava que as crianças demorassem a comprar quimonos porque eram pobres. Mas que, na verdade, já tinha criança com quimono na primeira aula. Que o judô é um gerador de pertencimento poderoso. Tanto para as crianças como para as mães. Porque é algo que muitos querem, mas poucos têm a oportunidade. Que as crianças amam a prática e a roupa. Que mesmo aquelas que não suportam o toque em outras situações trocam pegadas sem nenhum problema no judô, porque percebem significado.
Acabou doze e quinze, supostamente para o almoço. Mas eu já tinha almoçado. Não estava disposto a esperar até uma e meia. Nem ir em casa e voltar. Não voltei para a tarde. Se vocês não lembram, eu tive uma crise de estafa semana passada, ainda não me recuperei totalmente. À noite fui para o judô e percebi que meus músculos estavam tensos. Com muitas dorezinhas espalhadas. Com muita dificuldade, ainda consegui treinar. E agora estou aqui escrevendo essas linhas que pretendo publicar o quanto antes.
Até.
PS: demorei a publicar achando que ia conseguir escrever mais, mas não consegui. Não houve nada digno de nota da terça à noite para hoje, quinta de manhã.
Pratico judô e sou atualmente 2º kyu (faixa roxa).
Para conseguir a faixa preta, vou ter que desembolsar uma grande quantia em dinheiro. De fevereiro a agosto do ano que vem, algo em torno de dois mil e quinhentos reais.
Treino na Formas Fit.
A mensalidade das aulas de judô custa setenta reais.
Estou treinando para competir no Cearense dia 18 de julho.
Curso Educação Física na URCA.
Estou planejando um projeto de judô inclusivo chamado Judô no Escuro. Pretendo ir contando mais com o passar do tempo.

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