20260129

        Crato, 27 de janeiro de 2026.

        8h45 da manhã.








        Estou em um consultório de um oftalmologista. Da última vez que estive aqui, calculei que faixa de judô estaria usando da próxima vez que viesse aqui. E quantos meses estariam faltando para procurar meus amigos judocas de quem eu tinha me afastado por causa de brigas que não me diziam respeito. Não passou pela minha cabeça a possibilidade de me livrar das intrigas dos outros um ano antes do planejado. Mas, em julho de 2025, foi o que terminou acontecendo.
        Estou mais avançado em meus projetos do que eu esperava estar. Ainda preciso resolver algumas burocracias, mas, neste final de semana, recebi um importante apoio para estagiar como professor de Educação Física de forma mais intensa.





            Crato, 28 de janeiro de 2026.




            Ontem, eu estava digitando no consultório do oftalmologista e logo me chamaram. Não consegui voltar a escrever no decorrer do dia. Eu voltei do Piauí muito cansado. A produtividade foi voltando em conta-gotas, e eu já fui usando isso para postar fotos e legendas na internet e costurar apoio para projetos futuros. Mas estou conseguindo voltar a digitar aqui hoje, no meu escritório. Já é quase hora de ir almoçar. Mas uma hora esse texto sai.

        Meu professor um dia postou a seguinte frase na internet: “explicar minhas ações é complicado demais, me julgue e seja feliz.”
Esse tem sido meu lema nos últimos meses, mas hoje sinto que preciso dar algumas explicações. Ou não preciso, mas quero.

            Entendam que, desde um bom tempo — desde que meus amigos pararam de visitar o lugar onde eu praticava judô —, eu comecei a contar os dias para sair daquele lugar. Como um prisioneiro que conta os dias riscando traços numa parede. Mas isso não significa que eu desejava me associar à equipe deles. Por quê? Porque eu percebia que a Dojo Solo combinava mais comigo. Simplesmente isso.

        Quando eu finalmente me libertei do meu cativeiro, claro que havia um impulso de bater na porta da Dojo Solo imediatamente. Mas eu precisei resistir a isso. Eu sabia que tinha gente me observando. Gente desprezível, mas também gente por quem eu tenho grande apreço. Então eu queria fazer as coisas direito. Fazer visitas. Mandar e-mails. Colher respostas.

        De significativo, recebi uma mensagem da capital que dizia que: “um judoca que ainda não é faixa preta e não está integrado a seus conterrâneos não é bem-quisto.”
Uma fala muito importante, que eu decorei e trago comigo até hoje.

        Houve dirigente que não quis me dizer que horas a equipe dele treinava e anunciou nas redes sociais: “não há vagas.”
Houve equipe que me recebeu tão bem que confundiu meus apoiadores. A mensagem mais forte desses nem foi uma fala apenas. Foi também um abraço. O judoca me abraçou com força na frente de meus colegas da universidade e gritou que era meu “parceiro de judô!”. A essa cena se seguiu a pergunta: “por que você não se associa a eles?”

        Eu tive que resistir a isso. Para fazer a escolha certa. Enquanto resistia, fui praticar judô a doze quilômetros da minha casa, onde fui bem recebido, mas sem deixar de ouvir a pergunta: “por que você não se associa a eles?”

        Eu precisei montar respostas a essa pergunta. Para explicar às pessoas que perguntavam e para quem eu precisava dar alguma resposta. E também para me preparar para bater na porta da Dojo Solo. Quando finalmente me senti preparado, fui procurá-los. Nem tão longe: eles estavam no Juazeiro do Norte.

        Graças a Deus, eles me aceitaram como um deles. Nem sei se entenderam meus motivos. Acho que, no primeiro momento, não, mas me receberam assim mesmo.

        E esse fim de semana foi o momento de visitá-los em um evento nosso. Não que eu acreditasse que ia ser um fracasso — eu acreditava no sucesso —, mas a expectativa de sucesso também estressa. E da parte que eu preferia não explicar era isso, mas agora vou tentar contar como foi a semana, que é o que eu faço quando consigo, mas toda semana tento.





        Antes do embarque.



        No domingo antes de viajar, eu não estava conseguindo contar muito bem pelo que estava passando: falta de dinheiro para viajar e falta de informação sobre a viagem. Então escrevi um texto falando de pensamentos sobre esporte, meus esportes favoritos e coisas assim. Ficou um texto legal.

        Na segunda, eu recebi algumas informações sobre a viagem: que o ônibus estava marcado para sair às três da manhã do sábado, do Batalhão da Polícia Militar do Juazeiro do Norte, sede de um projeto de judô bem conhecido. Minha professora de História da Educação Física e de Monografia I fala muito desse projeto. Mas eu continuava sem saber de onde ia ser meu embarque. O batalhão fica a dezesseis quilômetros da minha casa, e às três da manhã é difícil encontrar Uber, além de ser caro e eu não ter dinheiro.

        Na terça, teve prática de judô. Lutamos para não lutar na quinta e nos poupar para o campo, no Piauí. Fiquei sabendo que íamos sair da Asa, um ponto perto do lugar onde praticamos judô. Os outros três moram bem perto. Praticar judô longe de sua residência é um hábito incomum aqui no Crato, mas é o meu caso. Como toda semana eu me movo duas vezes essa distância, tudo bem. Só que não é de madrugada; no sábado seria.

        Quarta, só me lembro que fui à missa.
        Quinta, teve um treino de judô com circuito.
    Sexta, terminou aparecendo dinheiro para me dar alguma tranquilidade, e preparei minha mala.

        Eu ainda fui para uma aula de capoeira, a uma visita do meu professor universitário, que eu também fui.
Quando eu cheguei, as crianças começaram a gritar: “Judô! Judô! Judô!”. Perguntei como elas sabiam que eu era do judô. Não souberam explicar. Eu já me encontrei com essas crianças antes, mas nunca de quimono. Eram muito pequenas para usarem rede social. Não entendi o que aconteceu ali, mas foi interessante. Fiquei com eles por uma hora; depois me despedi e disse que ia viajar em breve.

        Outra coisa interessante foi que eu perguntei a um morador onde eu estava para me situar. Ele perguntou onde eu morava; quando eu respondi, ele disse que era muito perto e apontou o caminho curto para minha casa. Eu disse:
— Não, Seu Zé. Vou seguir o conselho da avó da Chapeuzinho Vermelho. Vou pelo caminho mais longo para não me encontrar com o Lobo Mau.

        Antes de seguir pelo meu caminho mais longo, o meu professor de Bases Didático-Metodológicas, orientador de pesquisas e coordenador de extensão, deu um pequeno show de metodologia. Sentou as crianças no chão e explicou sobre sentar na roda, fazer silêncio quando os outros falam, disciplina básica. E canto. Aulinha para começar o ano.

        Depois, eu segui pelo caminho longo e seguro.





        Crato, 29 de janeiro de 2026.

Eu vou parar de digitar por aqui e publicar. No próximo, eu continuo a história.




        Até.




        PS: Como não contei tudo, ainda não expliquei para que estou precisando de dinheiro, mas basicamente é para continuar escrevendo e lutando, e para começar a dar aula. Continue lendo meus textos para entender, mas se já puder ajudar:



        Pix; diegosergioadv@gmail.com



        Ainda não atualizei o rodapé.

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