20260427

          Crato, 27 de abril de 2026 (segunda)








Hoje cheguei num pátio do ginásio da Universidade, depois de vestir o abadá da capoeira no escuro, porque estava faltando eletricidade. Estavam lá dois colegas de capoeira. Se não tivesse faltando eletricidade acho que haveria mais, aí eu comecei a contar:

— Estava brigando no DEG. (DEG é o departamento mais importante da Universidade para nós alunos, mas não sei o que o nome significa.)

— Por quê?

— Porque um funcionário estava dizendo que a Faculdade de Filosofia já era a URCA, mas eu disse que era mentira. URCA foi a fusão da Faculdade de Filosofia com a Faculdade de Direito.

— E depois?

— Depois o funcionário ficou esperando eu sair para continuar mentindo.




Olá leitores.




Eu vou falar mais da situação da minha mente do que de acontecimentos específicos hoje. Semana passada eu tive uma pequena crise de estafa. Eu e pelo menos parte dos nossos colegas funcionamos assim. Quando o expediente acaba, normalmente na sexta-feira, nós esquecemos as tarefas da Universidade. Quando chega o domingo, depois de descansar do almoço, é que a gente começa a pensar nas tarefas. Os professores trabalham em um sistema de avaliação em conta-gotas que é muito doentio. Não dá tempo de estudar de verdade nunca. Quando eu converso sobre um assunto mais complicado com um veterano, ele começa a recitar as palavras que decorou sobre o assunto para conseguir performar no sistema de avaliação em conta-gotas quando estava sendo avaliado naquele assunto.

Às vezes os professores aumentam a carga de avaliações em conta-gotas esperando que uma sequência de folgas vai fazer a gente trabalhar durante essas folgas. Na prática só gera um domingo à noite, ou véspera de dia letivo, ainda mais doentia. Onde a gente vai fazer tarefas de vários dias em um dia só. Durante a aula. A gente fica sendo avaliado por um professor enquanto, escondido desse, se prepara para avaliação de outro professor. Eu só estou contando como é. Porque ainda não é reclamação. Na verdade a dor maior nem é viver quase estafando, isso já é cotidiano. A dor é quando chega a segunda-feira e um colega que você gostava desistiu do curso. Isso sim te destrói. Meu corpo docente deve achar que um sistema que não deixa os alunos estudarem de verdade e que gera uma evasão absurda é uma coisa boa. Eles às vezes expressam essa opinião. E tem uma fala sobre todo curso ser assim. Não é. Tem curso pior, supostamente matemática e física seriam os piores. E tem cursos menos doentios. Eu não lembro dessa avaliação em conta-gotas no Direito, cada professor avaliava o aluno duas vezes por semestre. E só. Você podia faltar e ficar em casa estudando. Ou fazendo qualquer outra coisa. Dava para recuperar. Em educação física faltar é difícil. Geralmente gera rombos. Mas mesmo assim eu precisei faltar algumas aulas semana passada. Creio que vou conseguir recuperar.

Outra coisa chata. Ninguém parece acreditar que eu estou na miséria. Estatisticamente falando. Na prática eu sou bilíngue, tenho nível superior, sou advogado. Entendo muito de geopolítica, inteligência artificial. A todo tempo pessoas com mais recurso que eu, gente que pelos números está ali numa classe média baixa, recebem mais apoio que eu, que estou numa classificação realmente baixa. Eu hoje disse ao governo que minha renda era uma, a verdadeira, lá embaixo. A impressora revelou uma renda absurdamente mais alta. Mas isso curiosamente deu um alívio. Depois que você sabe que de uma direção não vai vir ajuda, você olha para outra direção e segue.

"Vou diminuir, seguir para o oeste e continuar a ser Galadriel."

Essa fala é tão absurda e sem sentido que eu lembro dela às vezes. Grande Tolkien.

Eu acho que estou melhor. Não vou publicar agora para atualizar minha condição, mas não acho que vou ter mais nenhuma má notícia para acrescentar hoje.




Sobre judô. Semana passada não consegui treinar por questões de saúde. Mas ontem finalmente começou o curso de faixa preta e um dos dirigentes da minha equipe Dojo Solo foi convocado para ser professor. Isso é uma notícia muito boa. Esse ano a Dojo Solo não tem nenhum candidato à faixa preta ou grau superior, mas para ano que vem há vários candidatos, incluindo eu mesmo. Na foto do curso de faixa preta não tinha ninguém da equipe onde eu treino, minha esperança que alguns deles nos sigam e se candidatem ano que vem só aumenta.




Eu hoje antes do almoço escrevi o trecho que vai do "Olá leitores" até esse parágrafo sobre o curso de faixa preta. Chegando no computador depois de jantar na Universidade, digitei aquele prólogo e vou contar o que fiz na hora do almoço até aqui.

Pois então, depois de começar esse texto eu fui para a Universidade almoçar. Depois fui para a Faculdade de Pedagogia onde nós da Educação Física temos aulas à tarde. Era aula de Filosofia. Meus colegas sofreram com a proibição de usar o telefone, eu também, mas menos. Passei pelas quase três horas de aula de forma mais tranquila do que em momentos parecidos da semana passada, realmente estou melhor da estafa.

A professora estava falando muito sobre tipos de vegetarianismo e maus-tratos a animais. Em dado momento ela começou a falar de experimentos com animais, eu chamei a palavra e disse: "professora, a senhora está falando sobre experimento com animais como se fosse algo distante, tem experimentos com animais acontecendo ali", apontei na direção dos laboratórios de ciências que o povo chama de ciências. E continuei: "cresci frequentando esses laboratórios, meu pai cursou ciências biológicas aí."

Terminei minha intervenção aí, não contei meu trauma com coelhos de laboratório. Nem vou contar hoje. Se alguém não souber, é só me perguntar que eu conto em privado.

E a aula acabou. Fui em casa ver a gata Estrela, pegar o abadá de capoeira, tomei umas gramas de proteína em pó. Da mais barata. Uma que tem gosto de fubá. E voltei para a Universidade. Passando perto do DEG tive a pequena discussão que eu contei no prólogo. Depois fui ao ginásio, ainda não tinha anoitecido, mas já estava escuro, porque estava faltando eletricidade.

Aí teve essa conversa que eu contei no começo do texto. Depois o guarda do ginásio veio perguntar se a gente ia treinar mesmo. Os outros dois queriam treinar, eu disse que estava preocupado com a janta. Terminei indo jantar. Quando voltei o ginásio estava trancado. Fui para casa. No caminho a eletricidade voltou, mas tudo já tinha sido cancelado. Segui para casa. Depois de tomar banho sentei aqui e escrevi mais essas linhas.

Espero que vocês tenham notado que eu lidei bem com as chateações da semana passada e da manhã. Estou realmente bem. Estou com vontade de jogar Capcom versus SNK 2, mas meu computador não roda. Pelo menos roda Street Fighter Alpha 2 e The King of Fighters 98. Por enquanto basta.


        Até. 



Pix: diegosergioadv@gmail.com




Quadriga 




Represento a Dojo Solo

Pratico judô e sou atualmente 2º kyu (faixa roxa). 
Para conseguir a faixa preta, vou ter que desembolsar uma grande quantia em dinheiro. De fevereiro a agosto do ano que vem, algo em torno de dois mil e quinhentos reais.  

Treino na Formas Fit.
A mensalidade das aulas de judô custa setenta reais.
Estou treinando para competir no Cearense dia 18 de julho.

Curso Educação Física na URCA.
       Estou planejando um projeto de judô inclusivo chamado Judô no Escuro. Pretendo ir contando mais com o passar do tempo.

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