20260412
Crato, 12 de abril de 2026 (domingo)
Acabei de chegar da missa na Sé Catedral. Segundo domingo de Páscoa. Missa da Misericórdia, a missa do evangelho sobre São Tomé.
Agora há pouco o atual líder da Hungria admitiu derrota nas eleições. A Federação Internacional de Judô fica na Hungria. Entre outras coisas, isso me dá esperança que a federação melhore em alguns aspectos. Esse ano eu quase não assisti judô. Comecei o ano assistindo hockey no gelo antigo para me preparar para os jogos olímpicos. Depois assisti os jogos olímpicos. Mas só o hockey feminino.
Fui assistir a medalha de ouro do Brasil, mas a transmissão começa assim. "O Lucas já desceu e não mostramos." Depois desse início frustrante eu desisti de ver o resto.
Depois eu assisti onze jogos de um time de hockey no gelo recém-nascido. Elas só jogaram vinte e seis jogos oficiais em toda sua curta história e só faltam quatro para encerrarem a temporada.
Depois desses quatro jogos pretendo voltar a assistir judô. Mas com alguns focos específicos. Sub 18 em todas as categorias. Sênior -48, onde algumas meninas com menos de dezoito com frequência aparecem mesmo no alto rendimento. E -90, minha própria categoria. Pois é, eu parei de assistir, mas não de praticar.
Ontem, quando o anfitrião que me hospedou em Iguatu me entregou o controle da televisão e me disse para botar o que eu quisesse, eu me apressei em colocar uma reprise de meu time de hockey jogando. Eu nunca tinha visto em uma tela maior que dez polegadas, não pude desperdiçar a oportunidade. Pude rever vinte minutos muito bons, com um gol de minha segunda jogadora em preferência.
Eu, como vocês devem saber, me transferi para uma equipe com sede de fato em Iguatu há sete meses, e ainda não tinha visitado Iguatu desde então. Isso se resolveu ontem. Se for para contar detalhes de coisas que aconteceram, ainda falta contar de minhas lutas lá em Caldeirão Grande, no Piauí. Ainda vou contar. Agora quero explicar algo mais essencial, a questão da geografia, que na minha cabeça não deve ser determinante.
Na minha penúltima aula de atletismo o professor trouxe um conceito pedagógico chamado afiliação. Eu ainda nem estudei bem o que isso significa direito, mas já desconfio.
Afiliar-se é pertencer onde você está. Por exemplo. No time que eu escolhi torcer. Esse de hockey eu já me afiliei, eu sinto pertencimento. Eu já tenho quatro jogadoras favoritas.
A Jobst-Smith, que me trouxe a esse time. Chama a cidade de Vancouver de Home Town, algo como vila lar. Canadense, mas joga pela seleção alemã. Ela está completamente afiliada tanto ao time quanto à sua seleção. Mesmo sendo uma seleção europeia e ela morando nas Américas.
Vanisova. Jogadora da seleção tcheca. Ela fez um gol lindo nesse trecho que eu assisti em Iguatu.
A goleira Maschmeyer. Ela entrou em parafuso no último jogo, porque a torcida estava torcendo por ela, mas não pelo time, isso a confundiu. Fez ela confundir o próprio pertencimento, o que significa que ela tem.
Daniel, essa eu não sei explicar bem, mas para uma americana dos Estados Unidos ela até parece boa gente.
E eu já tenho a minha desfavorita. A estrela do time, que eu agora só chamo de Amaral. Essa mulher não sabe o que é pertencer a nada. O dia que ela for embora já terá sido tarde.
Mas aí entra minha situação. Quando eu decidi treinar judô minha cidade só tinha uma equipe formal. Embora funcionasse como se fosse múltiplas equipes no dia a dia. Então, como não era geograficamente possível treinar em outra, eu fui treinar em um dos polos dela. Não sei se vocês estão acompanhando, mas treinar na única equipe da sua cidade não é se afiliar. Não no sentido da Pedagogia Sport Education que estamos, eu e minha turma, estudando na Universidade.
Houve um racha nessa única equipe, ela virou duas, eu me federalizei em uma e fiquei lá ainda por falta de opção. Era evidente que eu não estava afiliado, mesmo para quem nem conhece essa palavra. Mas chegou um ponto em que não teve mais como eu continuar lá, a tensão de verem que eu estava contando os dias para ir embora, porque eu não escondia isso, tornou a situação insustentável.
Se fosse para seguir a determinação da geografia eu deveria ter me transferido para a outra equipe do Crato, mas eu não fiz isso. Eu procurei uma equipe à qual eu realmente queria pertencer. Mesmo que a sede de fato ficasse a duas horas e meia de viagem, sem trânsito e sem paradas. A volta demorou muito mais.
E foi isso. Eu ontem meio que pude finalmente visitar a sede da equipe à qual eu já me sentia conectado há vários anos. E tudo indica que quando eu tiver virado professor vou poder ser a ponte para que outros também tenham opção. Mas notem uma coisa. Nada impede de você se filiar à equipe da sua cidade, eu sei disso, como a Jobst-Smith tão bem representa isso, a mulher que representa Vancouver e Berlim, mas só mora em uma das duas. Nos dois casos, porque ela escolheu, não foi determinação geográfica. Eu quero dar essa opção a outros. Por enquanto no judô, mas meus parceiros de Iguatu parecem se interessar por outras modalidades, assim como eu.
Mais uma coisa. Minha equipe me pediu para competir dia 18 de julho, em local ainda não definido. Mas eu queria lutar mesmo era 2 de maio. Mas vamos ver. Quem sabe. Com ajuda de meus leitores eu não consigo cumprir as duas datas. Continuem me lendo se não tiverem dinheiro, se tiverem, deixem pelo menos o do almoço. Por oito reais eu almoço e janto a semana toda na Universidade.
Até.
Pratico judô e sou atualmente 2º kyu (faixa roxa).
Para conseguir a faixa preta, vou ter que desembolsar uma grande quantia em dinheiro. De fevereiro a agosto do ano que vem, algo em torno de dois mil e quinhentos reais.
Dividi a taxa de exame em três vezes no cartão.
Dividi parte do gasto com a viagem para o Piauí em três vezes no cartão também.
Treino na Formas Fit.
A mensalidade das aulas de judô custa setenta reais.
Estou treinando para lutar em Palhano dia 2 de maio;
Curso Educação Física na URCA.
Estou planejando um projeto de judô inclusivo chamado Judô no Escuro. Pretendo ir contando mais com o passar do tempo.

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