20260408

            Crato, 8 de abril de 2026








                Olá, leitores.



            Um diário extra para duas coisas: primeiro, explicar que eu preciso viajar para Iguatu esse final de semana. Eu me transferi para a Dojo Solo, que tem a maioria de seus associados em Iguatu, em setembro do ano passado, há sete meses, e ainda não visitei Iguatu desde então. Esse final de semana, uma pequena delegação do Piauí, onde minha equipe tem um projeto, está visitando Iguatu, então é uma oportunidade que eu quero aproveitar. Eu demonstrei interesse de viajar sem nem saber o motivo dessa visita. Mas, segundo o nosso decano, é para os três jovens que vão lutar no Brasileiro treinarem juntos: dois de Iguatu e uma de Caldeirão Grande, Piauí. Então, formalmente, eu vou, de alguma maneira, ajudar nesse treino. É isso. Mas o principal motivo não é esse, é visitar minha equipe, que me acolheu e que eu não consegui visitar nesse polo ainda.

            Claro, a morte de meu gato Zulu e, poucos dias antes, da gata Lua, diminuíram minhas tarefas aqui no Crato. Também aumentaram minha tristeza, mais um motivo para essa viagem acontecer agora. E, como de costume, não tenho dinheiro para comprar nem um almoço, mas tenho certeza de que esse dinheiro vai chegar.




            Pix: diegosergioadv@gmail.com




            O principal da viagem é isso. Ainda vou pincelar algo sobre isso, mas, nesse momento, o objetivo é contar de um jogo que eu assisti ontem. Vancouver GoldenEyes e Boston alguma coisa. Na arena do Edmonton, que é um time de meninos muito, muito tradicional.

            Ou seja, não era nem em Vancouver nem em Boston, era em uma terceira cidade. Esse tipo de jogo é essencial porque a liga só tem oito times e precisa de muito mais. Então tem que haver esses jogos que divulgam a liga em mais cidades, na esperança de, no futuro, haver mais uma expansão, ou seja, surgimento de mais times.

            Mas assim, de forma resumida, antes de detalhar mais, foi uma festa estranha com gente esquisita.

            Eu nunca gostei da música Eduardo e Mônica. Quando eu tinha treze anos, nós estudamos essa letra nas aulas de português na escola e eu já não gostava. Mas, depois que eu cresci e percebi que a delinquente da Mônica deu cachaça a um menino de menor, eu fiquei com mais abuso.

            Eu assisti em minha casa, que, se vocês não se lembram, está no escuro — se acender uma luz, dá curto-circuito. Mas eu estava lá assistindo no telefone móvel. Nessa liga, o dono da casa joga com seu primeiro uniforme, que, no caso das Vancouver, é azul com listas creme. E o visitante joga de branco. Antes do jogo começar, quando as doze que iam iniciar estavam perfiladas, vi que as Vancouver estavam de azul e demorei um tempinho para entender por quê, mas depois percebi. Vancouver é no Canadá, Edmonton é no Canadá, Boston é nos States. Logo, Vancouver estava mais em casa do que Boston. Mas isso é enganoso. As Vancouver estavam na estrada há dezoito dias. Boston há bem menos. Boston está classificado para o mata-mata e é o favorito ao título. As Vancouver estão em uma temporada de estreia e essa camisa azul, nesse caso, é pressão sem estar realmente em casa.

            Quando foram dizendo o nome das jogadoras, a torcida não reagiu muito até que chamaram o nome da goleira do meu time. A arena explodiu em gritos. Eu também não entendi por quê. Só sei que a goleira estava com cara de nervosa. Horas antes, ela tinha chegado na arena vestida de vaqueira, acompanhada do filhinho, também fantasiado. Isso não é normal. Elas normalmente chegam arrumadas. Eu nunca tinha visto a goleira — aliás, jogadora nenhuma — chegando para jogar com um filho do lado. Só no intervalo que eu dei uma olhada nas redes sociais e entendi. A goleira nasceu em Edmonton.





            



        Isso foi a coisa mais desagradável da noite. Tipo: tu tem que ir jogar em uma cidade e, chegando lá, a torcida quer roubar tua goleira? É evidente que, se houver uma expansão para Edmonton, eles vão tentar contratar nossa goleira.

            Mas, voltando para o jogo. Pelo capacete, você já via que ela não estava normal. Levar o filho deve ter sido um jeito de lidar com a pressão absurda. Imagine: você está jogando na sua cidade natal e a torcida não torce por seu time, só torce por você. Resultado: ela jogou muito mal. Em quarenta minutos, tomou cinco gols. Nunca tinha visto ela assim. Claro, só assisti a esses onze jogos, mas fica a percepção mesmo assim.

        Depois de quarenta minutos, o técnico teve misericórdia e substituiu ela por outra goleira. A outra goleira não levou mais gols. E uma zagueira fez um gol de honra.

            Essa zagueira simplesmente é quem mais faz gol no time. Bom, mas quando a artilheira joga na defesa é porque as coisas não estão boas. Mas só faltam quatro jogos, depois é se preparar para a segunda temporada.

            Mas esse jogo serviu para eu perceber como essa liga ainda é frágil. Quatro jogadoras chegaram para jogar com a camisa do Edmonton, o time masculino da cidade — aquele mesmo que eu tentei torcer nos últimos anos sem sucesso. Ontem serviu para enterrar de vez essa ideia. Depois de três anos, o primeiro jogo que eu assisto na quadra dos caras é um jogo feminino. Eu quero que a liga masculina se dane. Mas claro que as jogadoras não pensam assim, torcem desde criança por esses times. Mas fica evidente que a identidade de algumas delas é mais de torcedoras dos meninos do que de jogadoras. Algo que pode se resolver, se a liga durar. Mas ainda está muito frágil.

            Eu normalmente não presto atenção nos intervalos, mas ontem estava tão esquisito que eu escutei alguns — ou li a legenda em tempo automático. Mas, enfim. A repórter foi entrevistar uma torcedora com a camisa das Vancouver e perguntou por que ela estava com aquela camisa. Ela respondeu que “suportava as meninas da Costa Oeste”.

            Eu fiquei perplexo. Que Costa Oeste infeliz? Parece que o único torcedor verdadeiro desse time no mundo todo sou eu. Não estou torcendo porque moro perto, eu realmente me identifico com o time. No chat só tinha mais torcedor do Boston, claro. As tapiocas que torcem pelo mais forte.

Teve outra entrevista que eu também olhei. A repórter disse: essas meninas passaram o jogo todo dançando, são todas jogadoras de hockey. Botou o microfone e elas gritaram qualquer coisa. Eu fiquei pensando: é bom elas saberem jogar hockey, porque dançar elas não sabem.

            Mas então, a melhor parte do jogo foi quando acabou. Terça que vem, as Vancouver vão jogar em casa de verdade, não essa casa falsa em que jogaram ontem.

            Depois do jogo, ainda fiquei ligado uma meia hora. Fui dormir duas da manhã. E hoje já teve aula às oito e vinte da manhã.

            Foi um dia tão atarefado e eu me dei tão bem nas múltiplas tarefas que fiquei impressionado.

            Mas é isso. Outra coisa que eu percebi assistindo esses jogos: a diferença entre o esporte profissional e amador é que o esporte profissional paga os atletas. Sério. Não tem nenhuma outra diferença, não. Se você sempre sonhou em ser atleta, caia dentro. A sensação de competir no amador é a mesma do profissional. E é muito boa. Tem dia ruim que nem foi ontem, mas tem dia maravilhoso.

           Esse fim de semana, eu vou pegar a estrada para uma experiência que eu oro para que seja positiva, estou precisando! Meu plano era me mudar para Dojo Solo em agosto de 2026. As circunstâncias fizeram eu mudar em setembro de 2025. Isso antecipou muita coisa boa e algumas difíceis. Mas, no fim, tanto faz. No esporte, na vida, a gente só às vezes escolhe; na maioria dos dias, se adapta.




            Até.



PS: Dei uma olhadinha nas redes sociais das Vancouver e eu gostei do que vi. Os torcedores estão com ódio, não por causa da derrota, mas por causa das quatro jogadoras que apareceram para jogar com a camisa do Edmonton. Isso é bom, pois é sinal de que eles se identificam com o time, mesmo que algumas jogadoras ainda não. É sinal de que a liga não está tão fraca assim quando eu imaginei, e que eu não sou o único torcedor, existem alguns outros.


         

Quadriga 




Represento a Dojo Solo

Pratico judô e sou atualmente 2º kyu (faixa roxa). 
Para conseguir a faixa preta, vou ter que desembolsar uma grande quantia em dinheiro. De fevereiro a agosto do ano que vem, algo em torno de dois mil e quinhentos reais. 
Dividi a taxa de exame em três vezes no cartão. 
Dividi parte do gasto com a viagem para o Piauí em três vezes no cartão também.
Treino na Formas Fit.
A mensalidade das aulas de judô custa setenta reais.
Estou treinando para lutar em Palhano dia 2 de maio;


Curso Educação Física na URCA.
       Estou planejando um projeto de judô inclusivo chamado Judô no Escuro. Pretendo ir contando mais com o passar do tempo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Duas semanas de aula

20250727

Semana de Colação de Grau