Crato, 5 de abril de 2026 (domingo)
Hoje, por volta das oito da manhã, saí de casa carregando o corpo do Gato Zulu.
Talvez fosse bom fazer um resumo de como cheguei aqui. Mas não estou com estômago. O que posso resumir é que esse animal era um parente. Não é um simples semovente que eu posso substituir.
Fato é que, até poucos dias atrás, eu morava com três gatos nascidos no mesmo dia, da mesma ninhada. E que adoeceram juntos. Dois morreram em um curto espaço de tempo. E a terceira está com câncer também.
Queria respirar um ambiente diferente esta semana. Queria visitar minha equipe de Judô em Iguatu no próximo sábado. O custo não é tão alto, mas, como de costume, eu não tenho o dinheiro.
Pix: diegosergioadv@gmail.com
Essa Semana Santa foi extremamente difícil.
Fui para a missa de ramos cedo, na manhã de domingo. Voltei para cuidar dos meus então dois gatos doentes, me preparar para três dias letivos muito atarefados e dormir cedo para levar a Gata Estrela ao veterinário.
Mas, à tarde, tive um alento. As Vancouver GoldenEyes conseguiram a primeira vitória de sua curta história na casa das adversárias.
Na segunda, a Gata Estrela fugiu. Quando finalmente consegui colocá-la na gaiola, já era tarde, mas ainda cheguei a tempo de sermos atendidos. Chegando lá, tive uma manhã de notícias horríveis. Levei minha prancheta para fazer atividades da Universidade, mas terminei não conseguindo.
Fui para a Universidade, almocei e depois fui para o ginásio. Estava um clima horrível. Meus colegas de turma estavam se preparando para não ir à aula. Eu planejava ir e sair antes de acabar. Terminei ficando as três horas.
Na terça, teve uma atividade de Biomecânica muito difícil, mas muito instrutiva. Coloquei tudo que eu tinha. Mais tarde, no judô, não consegui nem aquecer.
Na quarta de manhã, teve o resultado de uma prova escrita de atletismo. O professor lamentou as poucas notas na média, depois corrigiu e explicou como vão ser as próximas duas avaliações.
De tarde, assisti às atividades de Biomecânica dos colegas, enquanto discretamente fazia minha atividade de Desenvolvimento Motor.
À noite, teve outro jogo fora de casa das Vancouver, mas dessa vez foi uma derrota.
Quinta não teve aula na Universidade. No judô, fui cair suave e senti uma lesão. Ainda consegui lutar em um jogo em que você tinha que virar a faixa do adversário. Consegui vencer todos os rounds, mas, quando passou para luta normal, eu saí. Não dava para ativar uma das pernas direito. Ainda lutei no solo, mas só tomei ponto; a falta da perna atrapalhava.
Na volta para casa, as chuvas constantes deixaram as ruas desertas. Desabei de chorar por causa da situação do Gato Zulu. Quando cheguei em casa, ele veio em minha direção se arrastando. Terminou sendo o último gesto dele em relação a mim. Ele piorou nos dois dias seguintes.
Na sexta, eu só tive cabeça para ir para a procissão do Senhor Morto, mas, quando era seis e quarenta, o homem disse: "fiquem calmos e em silêncio que daqui a pouco a gente tira Jesus da Cruz." Nessa hora, eu fui embora. Não estava com paciência para esperar mais não.
No sábado, teve um jogo insano em Minnesota. As donas da casa estavam muito nervosas, porque uma vitória em tempo normal garantia o lugar delas no mata-mata. Elas estão bem mais fortes que meu time no momento, mas esse nervosismo igualou as coisas. O primeiro terço terminou três a dois para meu time.
O segundo terço terminou quatro a quatro.
No final do terceiro terço, faltando três minutos para acabar, as donas da casa estavam vencendo por seis a quatro. Teve um pedido de tempo do meu time. E houve algo estranho: o técnico, durante a pausa, estava sentado olhando para cima, e o auxiliar que estava na prancheta dando instruções.
Faltando menos de um minuto e jogando sem goleira, as Vancouver ainda marcaram um quinto gol e ficaram a um de empatar, adiando a classificação de Minnesota. Mas, apesar de um minuto final muito tenso, o jogo ainda terminou cinco a seis para as donas da casa. Meu time perdeu mais um jogo.
Antes do jogo, o Gato Zulu já estava nas últimas. Eu tirei uma foto. A última foto dele vivo. Depois do jogo, ele estava morto. Depois de enrolar o corpo em um pano, eu anotei um pequeno plano de treino com variações de um exercício chamado Barra Fixa e fui treinar. Uma sensação estranha de tristeza e propósito. Não é algo distante, que o animal sofreu e eu não. É mais ver um parente passando por algo, sabendo que em breve vai ser minha vez. Então não dá para perder tempo. É preciso seguir.
Hoje, depois de colocar o corpo dele na cova — quem realmente enterrou foi minha mãe, ela diz que eu sou um mal coveiro —, depois de terminar essa tarefa horrível, eu fui jogar videogame. Com sete fichas, finalizei Street Fighter Alpha 2 quatro vezes. Foram 32 vitórias seguidas, com 56 rounds. Eu jogo na dificuldade normal; depois disso, a inteligência artificial fica artificial demais. Então, não que seja muito difícil, mas eu nunca tinha vencido tantos rounds em sequência sem perder nem uma luta.
Agora, à noite, fui à missa. Trabalhei em atividades da Universidade. Estou seguindo em frente.
Até.
Pratico judô e sou atualmente 2º kyu (faixa roxa).
Para conseguir a faixa preta, vou ter que desembolsar uma grande quantia em dinheiro. De fevereiro a agosto do ano que vem, algo em torno de dois mil e quinhentos reais.
Dividi a taxa de exame em três vezes no cartão.
Dividi parte do gasto com a viagem para o Piauí em três vezes no cartão também.
A mensalidade das aulas de judô custa setenta reais.
Estou treinando para lutar em Palhano dia 2 de maio;
Curso Educação Física na URCA.
Estou planejando um projeto de judô inclusivo chamado Judô no Escuro. Pretendo ir contando mais com o passar do tempo.
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