20260323
Crato, 23 de março de 2026 (segunda)
Eita. Esse fim de semana foi osso, e hoje estão havendo dificuldades também. Vou tentar contar alguma coisa.
O pior de tudo que está acontecendo: a Gata Lua, que mora comigo e tem leucemia, parece que está nos seus momentos finais. Imagine como está sendo horrível. Contando só os últimos dias: sexta-feira passada, ao contrário do que eu pensava, teve almoço na Universidade, mas não janta. Pelo menos a professora de Libras passou uma atividade para fazer em casa; a de futsal nem isso. Eu estava querendo começar a fazer minhas coisinhas livres de fim de semana, para recuperar meu juízo, quando a Gata Lua pediu para sair. Eu abri a porta e fiquei olhando o telefone. Quando olhei de novo, ela tinha fugido. Gatos perto de morrer ficam com esse instinto de fugir. Procurei e não encontrei de jeito nenhum. Deixei a janela da minha casa aberta e segui para o computador. Que, se vocês não se lembram, teve que sair da minha casa. Porque, se eu tento ligar em casa, dá um curto-circuito e o disjuntor desliga.
Fiquei usando o computador, mas com um incômodo por não ter notícias da Gata Lua. Mas eu imaginei que ela ia conseguir voltar. Quando saí do computador e voltei para casa, a Gata Lua tinha voltado. Fechei a janela e fui à missa. Foi o terceiro dia seguido de missa diária.
Depois da missa, fui ao ginásio da Universidade me encontrar com os colegas da capoeira para trançar meu cordão. Três deles. Foi uma experiência incrível. Não só trançar o cordão, mas o fato de ser uma reunião espontânea. Na volta para casa, uma outra chateação: alguém paternalista. Uma pessoa que, só porque está em uma condição financeira melhor, acha que pode se meter em minha vida. Essa pessoa terminou me irritando o fim de semana inteiro. Sexta, sábado e ainda entrou no domingo. Não é algo tão importante. Mas, combinado com a Gata Lua morrendo, gerou um combo horrível. Não é alguém da minha família. É alguém que, na verdade, não tem nenhum vínculo comigo.
A Gata Lua ficou pedindo para sair ainda na sexta. Deixei ela sair umas três vezes, mas nessas vezes fiquei olhando para ela não fugir.
Sábado teve um treino de judô extra muito bom. Senti que minha cabeça estava afiada, mas o sistema cardiovascular não. Bom. Tenho um motivo e um foco para treinar. Depois do judô, teve jogo das Vancouver GoldenEyes. Mas eu não consegui curtir. A doença da Gata Lua e o paternalismo da pessoa hostil atrapalharam.
Eu fui à missa no sábado, domingo e hoje, segunda. Essa parte está indo bem. Já são seis dias seguidos.
Mas, continuando no domingo: a Gata Lua estava muito alterada. Me estressou demais. Às onze da noite, para não perder completamente o fim de semana, decidi fazer exercícios em casa. No escuro, vendo vídeos no telefone. A Gata Lua ficou nos meus pés, miando. Até que cansou e foi se deitar.
Hoje de manhã notei que a Gata Lua estava fraca pelos miados, mas deixei ela deitada. Fui lavar meu quimono. Quando voltei para ver a Gata Lua, ela estava deitada no mesmo lugar. Isso me preocupou. Eu a chamei. Ela se levantou e começou a dar passos cambaleantes. Eu a apanhei. A enrolei com um lençol que estava usando. Deitei ela dentro de uma geladeira que eu uso de armário e fui almoçar correndo. Quando voltei, ela tinha piorado. Tinha chegado uma mensagem da professora de Bases Filosóficas para dizer que ia ter aula. Eu não tinha feito a atividade.
Tinha que ser escrita à mão. Eu saí de casa e levei a Gata Lua comigo. Deixei aos cuidados de minha mãe e fui para o computador. Não ligou. Fiz a atividade no telefone. Deixei a Gata Lua com minha mãe e voltei para casa para a aula. Terminou sendo só a chamada. A atividade que eu tinha feito só ia ser cobrada na semana seguinte. A professora queria que adiantássemos atividades ainda hoje. Mas eu não tinha nenhuma condição.
Fui para a capoeira. Mas foi para trançar cordões. A gente está fazendo em dupla. Fiz o cordão de uma colega, junto com ela. Foi uma noite agradável. Voltei para casa. Fui ver como a Gata Lua estava. Ela piorou ainda mais. Agora estou aqui no computador digitando essas linhas.
No ginásio, enquanto trançávamos as cordas, ouvi o pessoal brigando sobre pedir pizzas. Porque hoje o ginásio da Universidade abriu, mas não teve janta. Quando eu saí de lá, ainda não vi essas pizzas chegando. Me lembrei que lá no Caldeirão Grande, no Piauí, meus colegas do Crato saíram para comer pizza na única pizzaria do município e voltaram horas depois ainda com fome. Mas não dá para contar muito mais sobre o Piauí hoje.
Se o computador continuar funcionando, outros textos certamente sairão. Se quebrar, ainda vai sair texto, mas vai demorar mais.
Pix: diegosergioadv@gmail.com
Até.
PS: A doença da Gata Lua me levou a ler algumas páginas de Frieren.
PS2: 24 de março. A Gata Lua encerrou sua vida às doze e vinte da noite.

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