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            Crato, 8 de março de 2026. (domingo)




            Olá leitores.








            São oito da manhã. Antes de jogar videogame, assistir desenho e ler quadrinhos nesse domingo onde já choveu grosso, eu resolvei reservar alguns minutos para descrever a aula de Biomecânica ao mesmo tempo que a aula de futsal que aconteceu dia 27 de fevereiro.

            Em minha Universidade professores e alunos têm um vocabulário muito limitado, principalmente para descrever atividades em que você vai para frente da turma apresentar algo. Eles chamam tudo isso de seminário. Seminário vem do latim Semen, que significa semente. E se refere a um lugar onde você planta mudas para depois levar para o local definitivo. Em português se refere ao início de algo. Seminário teológico é onde você começa a ser padre ou pastor, por exemplo. Já quando você vai para frente de uma plateia para falar sobre algo que você não tem grande domínio, algo que você está começando a entender, isso é chamado de seminário, corretamente.

                    Mas no meu curso não.

               Lá, se você vai dar uma aula prática com plano e tudo, chamam de seminário.
                Se você vai apresentar um relatório de um estágio, chamam de seminário.
Se você vai apresentar um trabalho de pesquisa, chamam de seminário.
            Se você vai comandar um treino de aeróbica ou musculação, chamam de seminário.

        Antes de eu entender essa pobreza semântica eu comecei a entrar em pânico. Me disseram que todas as avaliações do segundo semestre eram seminário. E eu, achando que essa palavra se referia apenas a apresentar o que o professor devia ensinar no lugar dele, fiquei ainda mais irritado com esse curso.

        Mas o problema maior é só falta de vocabulário mesmo. Pelo menos no que se refere à Biomecânica.

        Porque em boa parte das disciplinas do meu curso as explicações começam por bebês ou crianças pequenas. E como não temos bebês nem crianças pequenas de verdade, ficam só numa teoria que eu considero entediante.

        Em Biomecânica a professora começou a explicar os movimentos tendo como modelo alunos ou clientes idosos. Que é um público muito mais fácil de entender. E mais. Disse que vamos ter que fazer um diagnóstico de um cliente da academia de musculação que ela coordena, como última avaliação, e prescrever um treinamento. Na linguagem de meus colegas isso parece que também é chamado de seminário, mas espero que vocês tenham entendido que não. Seminário é semente, início, atender um cliente de verdade já é a árvore crescida, não uma semente. Claro que tem chato que adora dizer que a vida da gente começou hoje. Eu tenho vontade de pegar uma cadeira e jogar em um infeliz desses. Começou hoje sua venta. Mania de querer apagar todo meu esforço para chegar até ali.

            Mas então. Sexta-feira, dia 27 de fevereiro o, já era hora de ir almoçar, mas eu estava acamado, resfriado e sem forças para me levantar. Misturou a doença com a fome e me paralisei. Mas depois de alguma forma consegui me levantar. Aí ainda fui calçar o tênis, porque vai que eu aguentava participar de alguma aula prática depois de almoçar.

            Aí saí. Quando eu tinha andando uns cinquenta metros começou a chover. Se eu voltasse para procurar uma proteção contra a chuva perdia o almoço, segui. Quando andei os dois quilômetros e cheguei onde vendem as fichas não tinha ninguém. Eu gritei. Uma moça veio.

            Eu então segui até o Restaurante da Universidade. Tomando chuva de novo. É preciso atravessar a rua e seguir por um trecho descoberto. Entrei no Restaurante. Quando estava recebendo a comida na bandeja a funcionária da entrada gritou: “acabou”. Entrei minutos antes do fechamento do portão.

            Enquanto almoçava a chuva engrossou. Eu pensei que voltar para casa não compensava, era melhor tentar participar de alguma aula. Saí pela porta de saída tangendo alguns alunos que cobriam a saída olhando a chuva com medo de sair.

            Atravessei de volta para o campus. Rodei por um caminho que eu uso menos, mas que é coberto. Vi que a aula de futsal não tinha começado. Fui para a sala do segundo semestre de Pedagogia onde temos aulas à tarde. Não tinha ninguém. Perguntei aos colegas do terceiro semestre por minha turma. Alguém disse que só viu eles indo embora, outra pessoa disse que tinham ido para debaixo da arquibancada. Eu fiz cara — devo ter feito cara de terror. Teria que tomar chuva de novo. Mas assim fiz. Entrei debaixo da arquibancada, cheguei na aula de Biomecânica uns vinte minutos depois da hora. Estava tendo uma avaliação. Todos estavam com a atividade no caderno, eu abri no telefone. Ainda consegui participar.

            A professora, que tinha feito cara de espanto e graça quando eu cheguei molhado, disse que tinha dito ao professor de futsal que eu ia faltar para ficar na aula dela. Eu disse que estava doente, que se não fosse a chuva grossa já tinha ido para casa. Mas fui ficando.

        A turma se dividiu em cinco grupos de quatro, haviam exatamente vinte alunos. Fiquei com as remanescentes de meu antigo grupo de Ginástica. Uma delas foi embora.

            Era para preparar uma série de quatro exercícios e apresentar. Eu abri um atlas de anatomia da musculação que eu ainda nem tinha usado, mas que tinha sido passado pelo professor de anatomia. Escolhi um exercício. Minhas colegas escolheram os outros. Fomos o primeiro grupo a apresentar, com a professora e os colegas fazendo. Ainda fiz os exercícios do segundo grupo. Depois sentei.

            Estava acontecendo aula de Futsal ao mesmo tempo, na mesma quadra.

        De vez em quando a bola vinha para nosso lado, mas eram apenas trocas de passe. Quando a aula de Biomecânica acabou fui para o final da de Futsal.

            Com a quadra inteira livre houve um exercício coletivo. Joguei Futsal depois de mais de vinte anos sem jogar. Quando no ataque ainda chutei uma bola no gol, muito fraca. Como defensor fui melhor, não sofremos nenhum gol enquanto eu estava na defesa e o meu lado fez três gols.

            Esse texto já está imenso, mas vocês podem parar e continuar lendo outra hora, não é?




            Seis e dez da noite.




        Eu vou já sair para a missa, mas me vieram ideias do que escrever agora. Semana passada, essa hora, eu estava assistindo meu primeiro jogo das Vancouver GoldenEyes. Foi uma experiência maravilhosa. Mas hoje vou para a missa no meu horário habitual das sete da noite.

            No sábado seguinte a essas aulas de Futsal e Biomecânica que contei nesse texto, eu me encontrei com seis membros da minha equipe. Foi um episódio com mais chuva na minha cabeça. Mas creio que não há tempo para contar agora. Já estou me preparando para voltar à rotina letiva.

            Sobre o tempo que passei com minha equipe no final de janeiro. Da última vez que falei disso, contei que meu diretor técnico misturou todas as equipes. E depois disso teve uma aula de judô sem quimono. Foi muito interessante, e confirmou algumas das minhas ideias sobre como o judô funciona ao ser comparado a outras modalidades, mas também não há tempo para contar mais sobre isso.

            Esses episódios da chuva sobre mim, estando resfriado, não pioraram a doença, ela seguiu se enfraquecendo no decorrer da semana. Apesar disso não treinei judô nem capoeira nessa semana que passou. O fato de que minha instalação elétrica colapsou — se eu acendo a luz entra em curto e o disjuntor desliga — também atrapalhou.

            Apesar dessas dificuldades ainda fui na academia explicar a situação. Meu professor me entregou uma camisa com o nome dele. Muito bonita. Não gosto de pôr meu rosto nesse blog, mas quem quiser ver é só clicar no link:




Camisa de judô.




            Eu não tinha como recusar. Me foi dada para eu pagar quando pudesse. E eu devo muito a esses professores, esse que tem o nome na camisa e também o sócio dele. Eles me deixam treinar lá, mesmo eu não sendo da equipe deles, e sem fazer perguntas, e sem me tratar diferente. Esse é o tipo de favor que eu nunca vou conseguir pagar completamente. Dito isso, o que é aceitar uma camisa? Ainda mais que eu preciso de roupas relacionadas à Educação Física para ir às aulas. Mas dessa questão restou mais uma pequena dívida, que se soma a outras maiores.




            Pix: diegosergioadv@gmail.com




            Creio que era isso. Eu assisti o resumo da Fórmula 1, e mais um episódio de Samurai Jack. O Samurai Jack valeu a pena, o resumo da Fórmula 1 não.




            Até.




            PS: Depois da missa vi uma família saindo de um carro. Pai, mãe e o filho de uns dez anos. Todos três estavam de roupa preta. O menino então perguntou: “nós estamos de luto?” A mãe negou veementemente.





          

         

Quadriga 




Represento a Dojo Solo

Pratico judô e sou atualmente 2º kyu (faixa roxa). 
Para conseguir a faixa preta, vou ter que desembolsar uma grande quantia em dinheiro. De fevereiro a agosto do ano que vem, algo em torno de dois mil e quinhentos reais. 
Dividi a taxa de exame em três vezes no cartão. 
Dividi parte do gasto com a viagem para o Piauí em três vezes no cartão também.
Treino na Formas Fit.
A mensalidade das aulas de judô custa setenta reais.
Estou treinando para lutar em Palhano dia 2 de maio;


Curso Educação Física na URCA.
       Estou planejando um projeto de judô inclusivo chamado Judô no Escuro. Pretendo ir contando mais com o passar do tempo.

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