20260203

            Crato, 2 de março de 2026 (segunda-feira)








            Olá, leitores.




            São nove da noite. Só agora consegui um lugar para colocar meu computador e digitar, fora da minha casa.

            Vou resumir meus problemas técnicos e financeiros. Depois, contar mais um pouco do evento no Piauí, no final de janeiro, e então tentar relatar a semana.

            Há alguns dias houve um curto-circuito que atingiu a única lâmpada da minha casa. O disjuntor se desligou. Quando eu vim morar aqui, com um ano de idade, já era esse disjuntor. Tenho quarenta anos, e ele ainda está cumprindo sua missão. Parei de acender a luz e segui vivendo. Mas, no sábado, houve um curto-circuito pior. O disjuntor desligou novamente. Esperei algumas horas e tentei ligar o computador; o disjuntor caiu outra vez. Aí pronto: desisti. Agora, a única coisa elétrica que restou funcionando foi o modem. Nada mais funciona na casa. Preciso arrumar o telhado para parar — ou pelo menos diminuir — a entrada de água e refazer a instalação elétrica.

            Claro que não tenho dinheiro para nada disso. Os textos que eu tinha na cabeça — na verdade, dois; pretendo escrever um só sobre hóquei no gelo também — eram complexos demais para escrever no celular. Ainda não arranjei o aparelho que permite conectar um teclado USB ao celular. Também seriam horríveis de ditar por voz. Há a opção de caneta e papel; às vezes uso, mas hoje não dava. A alternativa que decidi foi o laboratório de informática da universidade, mas ele passou o dia fechado — supostamente não havia monitor. Um colega do primeiro semestre, que também é leitor, me perguntou por que não usei os laboratórios de Educação Física. Eu não gosto de trabalhar neles. Para algo mais simples poderia dar certo, mas para escrever esses meus textos, não. Agora estou no meu próprio computador Positivo.

            No domingo visitei o fliperama do shopping com crianças da minha equipe. Com elas, prestei mais atenção a ponto de perceber o preço das fichas: oito reais. É o que eu pago para almoçar e jantar, de segunda a sexta, na universidade. Claro que, neste momento, nem tenho os oitenta centavos para almoçar amanhã. Mas essa é outra história.




            Pix: diegosergioadv@gmail




            Voltando ao dia 24 de janeiro, em Caldeirão Grande, Piauí — terra das quatro crianças que, no domingo, acompanhei até o fliperama. Elas — duas irmãs e mais dois meninos — vão lutar no Brasileiro de Judô, na Paraíba, ainda este mês.

            Eu gosto de jogar em fliperamas e gosto do meu sistema, no qual cobro de mim mesmo fichas para jogar — fichas que eu mesmo me presenteio. Mas os fliperamas normais, capitalistas, sempre foram caros; isso não é algo exclusivo de hoje. Só que agora, além de caro, nem tem mais Street Fighter.

            Estava eu lá no Piauí. Meu diretor técnico, que mora lá, levou um PlayStation 2. Mas também não tinha Street Fighter. Só futebol e Guitar Hero. As crianças ficaram jogando Guitar Hero sem som.

            Voltando à manhã de sábado: logo depois de chegarmos, vi cinco parceiros de Iguatu e fiquei preocupado. Mas aconteceu que meu decano contou errado o número de lugares. A delegação tinha dezesseis membros e só havia quinze assentos. De última hora, ele decidiu vir de carro com quatro parceiros e deixou os outros onze virem de van — mas chegou primeiro de carro. Pouco tempo depois, o restante da delegação chegou.

            Não contei os membros da Dojo Solo que já estavam no Piauí; eles não estavam dormindo na escola onde o evento acontecia. Foram dormir em casa, então ficou difícil saber quantos eram. Também não contei os que vieram de Juazeiro, os Dragões Azuis — deviam ser no máximo quinze. E vieram quatro ou cinco Samurais de Pernambuco.

            Havia quatro equipes: a Unidade; a Dojo Solo; os Águias da Washi (os três do Crato que treinam comigo e mais quarenta e seis do Juazeiro); Samurais e Dragões Azuis.

            O organizador do evento, meu diretor técnico, colocou os alunos em formação por graduação: uma fila para cada cor de faixa, e deixou os faixas-pretas na posição dos professores, na frente. E disse: “Misturem-se. Neste fim de semana não importa de qual equipe você é. A não ser na hora de lutar; nessa hora, evite lutar com seus companheiros habituais de treino.” E assim começou o evento.

            Um parêntese: minha mãe disse que meus textos estão grandes, mas é aquilo. Vocês podem parar e voltar depois para ler o resto.

            Na segunda da semana passada, comecei visitando uma escola. Depois houve aula de Bases Filosóficas. À noite, um treino de capoeira bem leve, mas mesmo assim senti um pouco o joelho direito. Eu já estava com sintomas de um resfriado leve.

            Na terça, teve a primeira aula de Bases Biomecânicas. A professora tem um ritmo de pós-graduação: aponta os caminhos, explica pouco, mas tira todas as dúvidas. O mais positivo foi que ela já começou falando de treinamento de idosos. A maioria dos professores começa falando de treinamento ou desenvolvimento motor de bebês, o que, pelo menos para mim, é começar explicando o mais difícil.

            Fui para o judô. O professor estava com um resfriado mais avançado — provavelmente o mesmo. O dele pareceu mais pesado. Terminei sentindo o joelho de novo. Antes disso houve luta de ataque contra defesa: só um podia atacar. Só consegui derrubar caindo junto, e eu não gosto de projetar assim.

        Na quarta, novamente aula de Biomecânica e Desenvolvimento Motor. O professor de Motor queria que escrevêssemos um texto em duplas. Os que estavam sem dupla correram com medo de formar dupla comigo. Claro, né? Fazer dupla para escrever texto com um escritor. Que droga seria. Certos eles.

            Fiz sozinho e achei que ficou uma porcaria. Para escrever bem, a gente precisa ter afeto pelo que está fazendo — não era o caso.

            Na quinta, foi o pior dia do resfriado. Fui para o atletismo de manhã, mas à tarde almocei e pedi ao professor de Política para ir para casa.

            Às cinco e quarenta da tarde, meu orientador avisou que estava em uma reunião e que, quem pudesse, dos membros do núcleo, fosse. Como eu estava doente e não ia conseguir praticar, fui. Cheguei em meia hora.

            Na reunião estavam meu orientador e mais dois doutores. Um deles era o professor de Política que me dispensou mais cedo. Além de mim, havia seis alunos: dois do primeiro semestre, dois do mesmo semestre que eu — o segundo — e dois do quinto.

        O que posso contar dessa reunião sem gastar linhas demais? Era para um projeto de estudo que, segundo eles, não era aula. Segundo os outros dois doutores — meu orientador falou pouco — “não é aula” na língua deles significa que não é aula curricular. Mas era aula, sim. Três doutores, que ganham dinheiro para ler, discutindo textos com alunos que não têm tempo nem de se coçar — como isso não seria aula? Onde conseguiríamos discutir em igualdade?

        Perguntei: “Vai ser nesse horário?”
        Responderam que sim.
    Eu disse: “Nesse horário não posso, tenho judô. Só vim hoje porque estou doente e não ia poder treinar mesmo.”

        Os outros alunos e dois dos doutores ficaram sérios depois da minha fala. Meu orientador começou a rir sozinho. Na hora fiquei quieto, mas agora, lembrando, estou rindo também. Sorte dos meus dois colegas de semestre que eu não vou entrar nisso. Já me aturam nas aulas curriculares; ter que me aguentar em mais aulas não seria justo com eles.

        Depois da reunião, jantei e fui para o judô. Também para provocar meus colegas com a frase: “Peguei a doença de vocês.” Mas não foi só para isso. A quinta-feira foi isso.

        Na sexta de manhã faltei a Libras. Pretendia faltar a Biomecânica e ao futsal também, mas acabou acontecendo um monte de coisas.

        Sexta-feira normalmente não tem Biomecânica, mas estava havendo reposição. Como só eu da minha turma estou cursando futsal, eu seria o único a ter duas aulas ao mesmo tempo.

        Já está grande demais. Depois eu termino de contar essa história.



            Até.




            Pix: diegosergioadv@gmail.com



          

         

Quadriga 




Represento a Dojo Solo

Pratico judô e sou atualmente 2º kyu (faixa roxa). 
Para conseguir a faixa preta, vou ter que desembolsar uma grande quantia em dinheiro. De fevereiro a agosto do ano que vem, algo em torno de dois mil e quinhentos reais. 
Dividi a taxa de exame em três vezes no cartão. 
Dividi parte do gasto com a viagem para o Piauí em três vezes no cartão também.
Treino na Formas Fit.
A mensalidade das aulas de judô custa setenta reais.
Estou treinando para lutar em Palhano dia 2 de maio;


Curso Educação Física na URCA.
       Estou planejando um projeto de judô inclusivo chamado Judô no Escuro. Pretendo ir contando mais com o passar do tempo.

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