20250209
Crato, 2 de fevereiro de 2025.
Hoje voltei a treinar bem do meu jeito. Vagando por aí. Treinei antebraço na academia nova perto da minha casa. Uma das máquinas já quebrou, então parece que não é tão nova assim. Falo de uma academia pública.
Depois fui dar umas voltas na Praça da Maternidade. Em seguida, fui ver a obra do riacho contaminado de esgoto no Parque de Exposições. O chão lá é tão compactado que machuca minhas pernas. A obra acabou. O esgoto que tinha sido desviado, sei lá para onde, agora passa por dentro do parque, com todo o seu mau cheiro. Depois voltei para casa. Estou com fome, mas não quero comer antes das oito e quarenta e cinco da noite, que é a hora em que eu volto do judô nos dias em que há prática.
Volta às aulas.
As aulas da faculdade voltam quarta-feira. O coordenador do curso acabou de avisar aqui. Em quartas normais há aula de manhã e de tarde, mas esta quarta agora vai ser só de tarde.
Tive que apagar um parágrafo aqui. Abaixo explico.
Crato, 7 de fevereiro de 2025.
Cinco dias se passaram sem que eu escrevesse nada. Mas agora finalmente encontrei energia para continuar. O texto do dia dois ficou muito bom, mas acabei contando algo de alguém. Algo muito grave. E fiquei me perguntando se valia a pena publicar. Não vale. Esse diário é sobre o que eu passo, o que eu sinto, não sobre problemas psicológicos que percebo em meus colegas. Não seria justo. Infelizmente, o modelo de ensino brasileiro é pensado para nos adoecer. Eu, até onde sei, ainda estou bem. Mas há colegas em situação um pouco pior.
Nesses cinco dias, as aulas voltaram em um ritmo que eu chamo de conta-gotas. Fomos chamados para voltar quase normalmente, mas só tivemos uma hora de aula. Vou tentar relatar os últimos dias através de três modalidades. Espero conseguir passar um pouco do que tenho vivido. Vamos lá.
Capoeira.
No texto passado eu contei sobre um evento de capoeira a que fui, mas, como não quis gastar muitas linhas explicando, ficou difícil de entender do que se tratava. Vou elaborar um pouco mais, mas não vou contar tudo de novo. Quem não lembrar pode reler o último texto.
Meu professor da universidade avisou que tinha sido convidado para dar aula em um projeto de capoeira e perguntou quem queria ir. Eu disse que ia. Ele deu o endereço. Eu fui a pé, ele foi de carro. Não fomos juntos.
No fim de semana seguinte houve outro evento, dessa vez no Centro Cultural, que não fica no centro. Era uma aula com vários mestres, de estilos diferentes. Cheguei lá, me apresentei aos mestres, disse que tinha lutado judô recentemente e ainda não tinha me recuperado, por isso não ia praticar. Fiquei conversando. Um dos mestres contou que tinha acabado de chegar de Salvador, onde visitara um filho de Mestre Bimba, alguém muito importante. Depois, os alunos foram divididos em quatro grupos para receber ensinamentos de quatro mestres diferentes.
Saí de lá com muitas dúvidas. Chegando em casa, perguntei ao Chat Não Sei o Que PT se Mestre Bimba tinha gravado algum disco. Ele respondeu que sim: Curso de Capoeira Regional (1969). Ouvi o disco e fiquei ainda mais confuso.
Não só esses dois eventos, mas toda a minha vivência com a capoeira neste segundo semestre de 2025 me levaram a refinar o que venho fazendo. Quinta-feira passada houve uma oficina de capoeira ministrada pelos meus colegas da universidade para os calouros que estão entrando agora no curso de Educação Física. Fui lá, mais uma vez decidido a não praticar, mas me apresentei e apresentei minha missão: “Ajudar as pessoas a encontrar uma modalidade principal para se dedicar, assim como eu encontrei o judô, que muito bem pode ser a capoeira.”
A capoeira tem me ajudado a entender o judô. Eu posso palestrar sobre por que um brasileiro prioriza o judô em vez da capoeira. Encontrei uma base para entender e explicar questões que seriam muito mais difíceis sem a capoeira. Entender Palmares é mais importante para mim do que entender os Tokugawa. Ser do judô não muda a minha geografia nem confunde a minha história.
Crato, 8 de fevereiro.
Hoje meu corpo parecia não querer pegar no tranco de jeito nenhum. O fato de não haver nada urgente para fazer parece que pesou. Mal consegui jogar videogame. Só joguei Tetris.
Mas fui à missa. E assisti a uma partida de hóquei no gelo: Finlândia e República Tcheca. A terceira que a CazeTV transmite e a terceira que eu assisto. O melhor é que essa foi sem narração. Pude tirar do mudo e ouvir as meninas gritando, o disco batendo nos tacos, na trave. É um esporte maravilhoso. A jogadora tcheca sentada no banco do castigo e dando pauladas na câmera foi um momento ímpar do jogo. É um ambiente muito enérgico. Todo esporte deveria ser assim.
Mas, depois dessa celebração a esse esporte tão distante da nossa realidade tropical, vou falar de judô.
Judô.
Penso que ainda vou escrever sobre o Piauí em textos futuros. Mas hoje quero falar um pouco de como está a situação do meu judô através de três eventos: o que eu fui, o que eu não fui e o que quero ir. Começando pelo que eu fui.
Na sexta-feira, dia vinte e três de janeiro, saí do evento de capoeira por volta das oito e pouco da noite. Eu pretendia sair de casa para esperar o ônibus que me levaria ao Piauí às duas e quarenta da manhã. Eu tinha fé em Deus que era um ônibus robusto para viagem interestadual e com lugar para sentar. Mas não tinha certeza absoluta.
Saí da capoeira e fui para casa pelo caminho mais longo, seguindo o conselho da avó da Chapeuzinho. Meu quimono ainda estava pendurado no varal. Tirei, comi alguma coisa, organizei a bagagem. Depois fiquei numa situação chata: teria poucas horas para dormir e não estava com sono.
Fiquei teclando com o Chat Não Sei o Que PT até faltar cerca de duas horas para sair. Para sair de casa, não do ônibus. Depois fui dormir.
Acordei às duas e dez da manhã. Saí de casa às duas e quarenta. O que mais me gastou energia na hora de sair foram os três gatos. O gato Zulu era o que estava dando mais trabalho: não queria comer de jeito nenhum, sendo que normalmente é muito guloso. A gata Lua, que está com leucemia, também estava inquieta, mas comendo. A gata Estrela era a mais normal.
Às duas e quarenta saí. Segui com minha mala da Frieren pela cidade deserta. Subi a ladeira da CE-386. É uma ladeira horrível. E cheguei na Asa.
Lá esperei um pouco. Um dos colegas chegou logo depois. Um homem pediu licença para pegar um baralho que havia escondido perto de onde estávamos, depois foi embora. Passado um tempo, chegou o nosso professor e a aluna que é parente dele. A delegação do Crato estava completa.
A recomendação era que ficássemos olhando o telefone em casa para chegar pouco antes do ônibus, mas eu não ia conseguir fazer isso. Cheguei na hora combinada e pronto.
Aproveitei para ouvir minhas músicas pela última vez antes de embarcar, em volume baixo. Ainda estou sem fone de ouvido. Lá no evento houve uma hora em que começou a tocar Decode, do Paramore, mas, depois de alguns segundos da introdução, tiraram. Acho que foi a única vez que uma música que começou não chegou até o final. O pessoal parece que não gosta mesmo de Paramore.
Depois de um tempo, chegou o ônibus que vinha de Juazeiro, com o pessoal do projeto do Batalhão da Polícia Militar. Eles são da equipe desses meus três parceiros de viagem. O ônibus era robusto, parecido com os que a Guanabara usa. Acho que estava no nível de um executivo. E tinha lugares para nós quatro sentarmos juntos, perto do professor de Juazeiro.
Sobre o evento em si eu conto outro dia. O principal que quero dizer hoje é que viajar faz mais sentido quando você vai encontrar pessoas importantes para você. Não importa se Caldeirão Grande é, na verdade, uma cidade pequena, que só tem uma rua e cujo prédio mais interessante é a igreja, se as pessoas com quem você passou o dia eram importantes e fizeram a viagem valer a pena.
Claro que encontrar essas mesmas pessoas perto da Torre de Tóquio, onde Sakura Card Captors enfrentou o mago Clow, seria um pouco mais interessante — só um pouco mais.
Sobre o evento a que eu não fui: foi muito importante para minha equipe. Cinco atletas, dois técnicos, quatro medalhas, três classificações para o Brasileiro em João Pessoa. Foi bom demais acompanhar tudo daqui. Eles estavam comigo no Piauí há poucos dias e são pessoas que quero rever o quanto antes.
A única representante do Crato não trouxe medalha. Ela não é da minha equipe, nem da equipe em que eu treino. Ano que vem não sei, mas creio que, em 2028, o Crato vai levar uma delegação maior. A delegação da minha equipe viajou de Iguatu e Caldeirão Grande.
Sobre o evento que eu quero ir: dia dois de maio, em um município chamado Palhano, há um evento que está aparecendo no calendário da federação. Não sei bem as regras, mas estou com vontade de ir. É relativamente longe do Crato, não tão longe quanto Fortaleza, mas relativamente perto de Iguatu.
Mas, para ir a Palhano, antes preciso terminar de pagar os gastos da viagem para Caldeirão Grande.
Por hoje é isso.
Até.
PS: Vi que o Vasco ganhou do Botafogo, mas não tem onde assistir. O New York Knicks está na melhor campanha desde que comecei a torcer, tenho acompanhado os placares. Acho que vou escolher um time feminino de hóquei para torcer. A liga NHL é fechada demais; escolher um time lá é torcer para algo que você quase nunca vai conseguir assistir. Então estou quase desistindo de torcer para o Edmonton Oilers.
Crato, 9 de fevereiro de 2025
PS2: Estava tão animado com o hóquei que esqueci de dizer que assisti a um pouquinho do Grand Slam de Paris de judô. Vi a Rafaela Silva ganhar ouro. Eu estava muito chateado achando que os ucranianos iam boicotar, mas eles foram lutar. Sabemos que a corrupção é grande, mas boicotes só pioram a situação.

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