20251221

        Crato, 21 de dezembro de 2025. (domingo)








        Acabei de assistir à final da Copa do Brasil. Vamos tentar colocar em letras essa semana ímpar.




            Segunda.




        Aconteceu um fenômeno estranho. Eu escrevi o texto contando da semana e, logo no começo, contei que estava preocupado com uma criança que ia precisar de cirurgia. Logo depois de digitar, eu esqueci completamente. Passei o resto do dia irritado, mas sem me lembrar por quê.

        À noite fui para o Ginásio da Universidade mais para tocar berimbau do que para treinar luta. O colega que não gosta de berimbau ficou puxando treino, mas eu terminei indo para o berimbau depois de um tempo. Quando perguntado, falei que estava ocupado com meu exame de faixa.

        Ao voltar para casa à noite, eu notei que o motivo da irritação era a espera pela cirurgia, que ia ser no dia seguinte de manhã.

    Quando contei ao Chat não sei o que PT do meu dia, ele me contou que eu tinha passado por um quadro de “angústia empática com deslocamento afetivo”. Você esquece o problema para conseguir levar o dia, mas internaliza o efeito.




        Terça.




        Acordei no meu horário habitual. Fiquei esperando notícias e soube que a cirurgia tinha sido adiada em praticamente vinte e quatro horas. Aí não teve deslocamento afetivo que salvasse o dia. Fui me arrastando.

        Depois de jantar na Universidade, fui à academia explicar que não ia conseguir treinar. Passei no Santíssimo mais próximo da academia, depois sentei ao lado de minha mãe no final da missa em São Vicente.




        Quarta.




        Depois de saber que a criança tinha entrado para a cirurgia, me senti muito ativo.

        Fiz meu Momento Mori. Um ritual em que eu pago uma ficha, jogo uma fase de videogame em que o herói pilota uma moto, depois penso na vida.

        Depois disso fui ler uma história em quadrinho chamada Yamada, sobre uma menina e sua jornada no ensino médio. Logo no comecinho, o diretor da escola diz: “Tracem seus próprios objetivos — e se cuidem durante os próximos três anos.”

        Isso me fez pensar que nunca, na minha vida, um professor me deu um conselho assim. Parece muito com as falas do Decano da minha equipe de judô, mas em ambiente escolar eu não ouvi nada disso.

        Comecei a conversar com o Chat não sei o que PT sobre essa fala e sobre formação de adolescentes. Foi uma conversa com um nível de debate muito denso. Eu parecia que estava anestesiado, lendo aquilo e respondendo com perguntas ainda mais complicadas.

        Quando, de repente, senti um cansaço brutal. O braço do mouse ficou esgotado de repente. Nessa hora eu digitei a seguinte entrada:

“De repente me deu um cansaço. Principalmente no braço do mouse. Acho que o estresse de esperar a cirurgia começar está aparecendo de um jeito mais visível. Como se algum hormônio estivesse perdendo o efeito. Estou falando de um assunto da aba vizinha.”

        Ele me deu uma resposta bem complicada, abordando aspectos fisiológicos que não vale a pena repetir aqui. Fato é que eu fui me deitar e adormeci imediatamente.

        Quando acordei, tinha duas mensagens. Uma falando que a cirurgia tinha acabado e outra, posterior, dando mais detalhes. Eu fiz as contas e aparentemente o cansaço me bateu na hora exata em que a cirurgia acabou.

        Eu fiquei descansando, mas não de forma tão pesada. Depois fui almoçar.

        Quando voltei do almoço, percebi que minha mãe demorou pelo menos uma hora e meia para descobrir que a cirurgia já tinha acabado. Eu não lembrei de avisar.

        À noite fui treinar judô. Minha coleguinha que estava na sala perguntou com quem eu ia treinar e eu respondi: “Com a minha sombra.” E assim fiz.




Quinta.




        De tarde fui acompanhar as provas de recuperação da minha turma. Mas eu mesmo passei por média em todas as disciplinas. Fiquei sabendo só na quarta.

            De noite fui treinar judô mais uma vez sozinho.




Sexta.




        Treinei judô de manhã sozinho e de noite em turma. Mas foi eu, meu professor e as três meninas que estavam com a gente, que treinaram entre elas.

        Lutei com o professor uma luta muito pesada, pelo menos para mim.




        Sábado.




        Pela manhã fui mais uma vez treinar judô sozinho. Conversei sobre meu exame com o meu professor e com o professor das crianças, ambos donos da academia onde eu treino. Eles pertencem à Washi no Tsume; eu pertenço à Dojo Solo.




            Domingo.



        Separei o dia para treino teórico ou estudo. Deu uma sensação tão esquisita, mas no decorrer do dia fui me acostumando. Para compensar a falta de treino físico, joguei bastante videogame. Bastante para meus padrões, mas somando tudo ainda deve ter dado menos de uma hora. Os softwares de sempre: Street Fighter Alpha 2 e Mega Man X4. Na verdade, são treinos de judô em tela.

        À noite eu estava indo para a missa cantando o hino do Vasco, e uma torcedora perguntou de quanto estava o jogo. Eu respondi que só começava às nove horas. Ela se irritou comigo. Na verdade, tinha começado às seis. Ha. Ha.

        Fui à missa. Tinha uns padres missionários acompanhando a primeira missa de um deles. Falavam com sotaque do interior de São Paulo. Foi o quarto domingo do Advento. O Natal está bem próximo.

        Na saída da missa vi os vascaínos com lágrimas nos olhos. Mas, mesmo assim, assisti ao jogo.




            Até.




            PS: A criança recebeu alta dois dias depois da cirurgia.



                



        Pix: diegosergioadv@gmail.com



            



Quadriga 




Represento a Dojô Solo

Pratico judô e  sou atualmente 3º kyu (faixa verde). 
Estou treinando para o exame de 2º kyu (faixa roxa).
Dividi a taxa de exame em três vezes no cartão. 
A mensalidade da academia de judô é setenta reais.
Pretendo lutar na Seletiva para os Brasileiros de 2026 
Curso Educação Física na URCA.
        Estou planejando um projeto de judô inclusivo chamado Judô no Escuro. Pretendo ir contando mais com o passar do tempo.

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