7 dias

        Crato, 10 de outubro de 2025








        Hoje abriu o cadastro para bolsas de estudo de graduação da minha universidade. Entre os documentos para preencher, teve um que sepultou minhas chances:


            Declaração de não conclusão de curso superior.


            Mais uma vez, meu diploma de Direito me fecha uma porta. Tudo bem. Os próximos quatro anos vão ser difíceis, mas a gente vive um dia de cada vez. Me ajude a sobreviver e a continuar lutando — com dinheiro ou só lendo meus textos.


Pix: diegosergioadv@gmail.com


            Hoje de manhã eu tinha aula de ginástica. Supostamente seria para treinar as coreografias de ginástica rítmica em grupo. Eu não tinha descansado do treino de judô, mas fui me arrastando.


            Artes marciais não são só para ricos. Tenho aprendido isso em fisiologia. Mas a prática do pobre é completamente diferente da do rico. O pobre não vive uma rotina de treino e descanso. Ele vive uma rotina de trabalho e trabalho. A aula de judô — aula, não treino — é mais um trabalho. E essa rotina de trabalho e trabalho vai criando uma adaptação. Eu pretendo experimentar e escrever muito sobre isso ainda.

            Mas continuando sobre minha rotina de trabalho e trabalho, ou aula e aula:
            eu ia me arrastando na direção do Parque de Exposições. Depois que você atravessa a avenida uma vez, não tem mais carro por esse caminho. Por isso valia a pena ir por lá — para não ser atropelado dormindo.

            Na hora de atravessar a avenida, vi minha mãe arrastando uma mala. Ela tinha ido doar roupas para o projeto da nossa paróquia, que tem um monte de coisas para os jovens e crianças. Tem uma escola, aulas de judô e capoeira. As aulas de judô estão muito difíceis desde um incêndio horrível que aconteceu. Mas, no dia de São Francisco, na procissão, terminei passando por uma das crianças do projeto com uma medalha de judô no pescoço. Ela tinha acabado de ganhar em um evento que tinha acontecido no Centro Cultural — aquele que fica na periferia da cidade.


        A alegria dela irradiava. Esse projeto é muito legal. Se chama Ecos de Esperança.


        Assinar com a Dojo Solo me deu liberdade de apoiar todas as equipes atuando em minha cidade. Isso é realmente muito bom. Quando eu estava assinando com uma equipe da cidade, eu ficava preso a questões menores. Ver aquela criança com a roupinha de judô na cintura e medalha no pescoço durante a procissão de São Francisco me deu uma poderosa confirmação de que eu tinha tomado uma decisão correta! Graças a Deus.


        Hoje é dia de dieta. Faltam sete dias para a pesagem oficial da Copa Samurai, onde vou lutar representando a Dojo Solo. Estou chamando todos que encontro para ir, sejam de que equipe for.


        Mas continuando sobre minha manhã: eu lembrei disso porque, quando vou por esse caminho, passo pelo lugar onde encontrei a criança da procissão. Passei meio que me arrastando, carregando meus aparatos de ginástica rítmica. Chegando lá, foi aula de ginástica acrobática. Depois de duas horas de desânimo, o professor disse que não deu rítmica porque os veteranos que ele queria que fossem técnicos não puderam ir. Esse povo da Educação Física tem essa besteira de técnico. Paciência.


        De tarde, era para os alunos irem à biblioteca municipal, que fica a uns duzentos metros da minha casa. Eu ia deixar para ir outro dia, mas terminei indo falar com minha equipe.


        E agora estou aqui. Vou ver o que faço da minha noite antes que a fome me cause sono.


        Até.


        



Quadriga 




Represento a Dojô Solo

Pratico judô e  sou atualmente 3º kyu (faixa verde). 
Estou treinando para o exame de 2º kyu (faixa roxa).
Pretendo lutar na Copa Samurai dia 18 de outubro, mas para isso preciso de um monte de dinheiro.
Curso Educação Física na URCA.
        Estou planejando um projeto de judô inclusivo chamado Judô no Escuro. Pretendo ir contando mais com o passar do tempo. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Duas semanas de aula

20250727

Semana de Colação de Grau