2 dias

            Crato, 15 de outubro de 2025 (quarta)







        Contribua com minhas refeições durante o evento: 

                        Pix; diegosergioadv@gmail.com



        Hoje é Dia dos Professores. Faltam dois dias para a pesagem da Copa Samurai.
        Não teve aula nem jogos hoje, e inventaram de trazer o feriado do Dia do Servidor Público para sexta, para poder “imprensar” a quinta — destruindo o planejamento dos jogos interperíodos e garantindo cinco dias seguidos de Restaurante Universitário fechado, entre outras desgraças.

        Eu ainda não sou professor formalmente, embora as crianças já me chamem de professor. Mas esse é o tipo de homenagem que me ofende. Estou entrando nessa porque gosto de ensinar — me proibir de ensinar por três dias vai ser mais afrontoso do que me xingar. Mas paciência.

        Senti o ódio contra um professor nesses termos ontem. Uma colega da faculdade estava gritando na arquibancada do ginásio:
        — “Aquele vagabundo disse que vai dar aula quinta-feira! Ele não pode, ele não tem esse direito! O reitor disse que é ponto facultativo, como ele vai fazer isso?”

        Esse negócio de “ponto facultativo” é outra coisa que eu não entendo. Não é facultativo? Quem quisesse trabalhar devia poder, não? Mas me dizem que é só o nome — na verdade, não é facultativo.

        Bem, nesse Dia dos Professores eu espero que esse querido professor, que querem proibir de trabalhar, consiga cumprir seu dever. E que os alunos que não quiserem ir apenas fiquem com falta, sem dramas. Não sei quem ele é, mas esse me representa.

        Parabéns a todos os professores — os que gostam de dias letivos, os que gostam de folgas, os que gostam das duas coisas. Um que gosta de dia letivo está chegando para participar das fileiras de vocês. Não me recebam mal.

            Agora, continuando de onde parei ontem: depois de publicar um texto dizendo que tinha ido à quadra do Colégio Estadual e não tinha encontrado ninguém, saí de casa de novo. Quando não estou com pressa para chegar ao ginásio, vou por um caminho mais distante, mas com ladeiras mais suaves. Subo o morro em direção ao ginásio por dentro do campus.

            Quando eu era criança, a subida por dentro do campus não era tão suave. Derrubaram dois pés de pequi centenários e construíram uma rampa — antes só dava para subir por batentes.

            Eu frequento a Universidade desde bebê, quando meu pai tinha uma bolsa de pesquisador para fazer alguma pesquisa com coelhos. Um dia faltou verba para comida e ele distribuiu os coelhos vivos com quem passava na rua. Fiquei devastado de tristeza — gostava de ir ao laboratório olhar os coelhos. O orientador do meu pai ficou enfezado com ele, mas meu pai disse que não ia deixar os animais morrerem de fome por causa de burocracias.

            Subi pela rampa que assassinou os pés de pequi. O dia em que derrubaram essas árvores também foi um dia triste, mas pelo menos ficou a rampa. E fui ao ginásio. O professor de Fisiologia, responsável pela chamada, ainda não tinha chegado, então segui para o Colégio Estadual.

            Chegando lá, fiquei sentado com alguns colegas que estavam na coordenação do basquete, assistindo o sétimo semestre esquisito espancando o segundo no basquete feminino. Quando acabou, fui ao ginásio atender à chamada.

            Esqueci de mencionar outra coisa: eu estava com meu arco de ginástica e com a bola na mochila — talvez houvesse treino de equipe. Mas só apareceram três; contando comigo, o grupo tem cinco. É o único grupo com quatro mulheres e um homem. Não sei por quê. Se quiserem ver como nos saímos, é só ir ao ginásio no dia 5 de dezembro, para o encerramento da disciplina de Ginástica I.

            Depois de atender à chamada, voltei para o Estadual. Era sexto semestre contra segundo, basquete masculino. Tinha só uma árbitra, muito competente, também aluna do quinto semestre.

            Aí me sentei — dessa vez, sozinho. Os universitários ficaram no muro do outro lado; fiquei só eu na arquibancada. Mas foram chegando colegiais. Daqui a pouco, eu estava rodeado de uns vinte. Eu olhava o jogo, mas escutava as interações deles. Na vida real, eles são muito parecidos com o que são no Twitter: mesmos assuntos, mesmas performances. E um desejo de ler as pessoas ao vivo como quem lê um perfil de rede social — e de se apresentar, de se definir por cor de pele, cabelo, orientação sexual. Gosto muito de estar entre eles.

        Outro dia vi um vídeo de duas marionetes dizendo que ficar velho é não entender o que os jovens falam. Não é verdade. Quem passa no vestibular automaticamente desaprende a falar como colegial — de um dia para o outro. Um menino de dezessete anos que passa no vestibular já não fala mais como colegial, embora às vezes mantenha maus hábitos. Um repetente de dezoito anos, como eu mesmo fui, se mantém com trejeitos de colegial.

        Então, não compreender o que os jovens falam não é um traço de velhice — é só de desinteresse. E tudo bem. Mas comigo não aconteceu. Tenho plena consciência da minha idade e do cuidado que preciso ter com meu corpo, mas isso não me impede de entender o que essas meninas e meninos falam. Mesmo que eu não goste de repetir as mesmas gírias, eu as compreendo.

        Depois do jogo, fui para o ginásio conversando com a árbitra. Disse que a gente precisava treinar basquete juntos, os vários semestres. Mas, na verdade, eu não estava com vontade de jogar — só queria incentivar os outros. Vamos ver o que acontece.

        No ginásio, ainda assisti a alguns jogos de futsal e handebol. Com tantas idas e vindas, não consegui fazer exercícios antes do jantar. Mas também tinha aula de judô no final da noite.

        Depois do jantar, fui para casa dar comida aos gatos e, depois, com meu quimono, fui treinar — lá depois da Periferia Cultural, onde costumo treinar. De lá, só o professor das crianças vai lutar na Copa Samurai. Ele me disse que vai lutar na -100 porque “está leve”.

        A aula foi leve, ao contrário de outros dias, mas terminou tarde. Ficamos ajudando um colega que vai fazer exame de faixa preta no domingo.

        Hoje fiz compras, almocei no Restaurante Popular, depois descansei — e agora estou aqui escrevendo este texto. Acho que vou publicar logo antes de fazer qualquer outra coisa.




            PS: Minha equipe, a Dojô Solo, conseguiu transporte com a prefeitura de Iguatu para vir lutar! Por enquanto, a delegação são treze de Iguatu, eu aqui do Crato — e espero que tenha mais alguém vindo do Piauí!


                Até.

       



                               

                                           Quadriga 




Represento a Dojô Solo

Pratico judô e  sou atualmente 3º kyu (faixa verde). 
Estou treinando para o exame de 2º kyu (faixa roxa).
Pretendo lutar na Copa Samurai dia 18 de outubro, mas para isso preciso de um monte de dinheiro.
Curso Educação Física na URCA.
        Estou planejando um projeto de judô inclusivo chamado Judô no Escuro. Pretendo ir contando mais com o passar do tempo. 

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